segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Quando o Trabalho se Torna um Prazer

por Rick Boxx
Ao longo da nossa carreira profissional, estabelecemos inúmeros objectivos.  Para muitos, a passagem à reforma aos 65 anos – ou antes, se possível – parece ser um assunto com alguma importância.  Contudo, com os ventos da economia a soprar desfavoravelmente, consumindo a poupança de milhões de investidores, muitos nesta situação estão a ter necessidade de rever substancialmente os seus planos.
Apesar de tudo, um grande número de profissionais e empresários inicia a sua jornada de trabalho, sonhando com o dia em que arrumarão as suas coisas no escritório pela última vez e começarão uma nova vida de relativo lazer, sem ter que lidar com as pressões e prazos do quotidiano no mundo do trabalho.  Quando esse dia chegar, muitos poderão escolher actividades como o golfe, jardinagem ou viajar, fazendo delas o ponto central do seu tempo e da sua energia.  No processo de embarcar numa nova fase da vida, contudo, eles deixam para traz anos de grande sabedoria e experiência.
Por tudo isso, a história de Waldo McBurney, na cidade de Quinter, em Kansas, EUA, que se tornou num tema de programas de TV e artigos de jornal, parece-nos bem revigorante.  Em 2006, Waldo McBurney, com 104 anos de idade, foi declarado o trabalhador mais idoso da América!  Literalmente, a sua carreira profissional percorreu a época das charretes a cavalo passando pela era dos computadores.  Recebeu o seu primeiro salário em 1915, aos 13 anos, conduzindo cavalos que puxavam uma debulhadora de trigo.
Na década de 50 abriu um negócio de lavagem de sementes, empreendimento mantido até completar 91 anos de idade.  Nessa altura, entretanto, ao invés de se reformar, ele transformou a sua criação de abelhas, um hobby de décadas, noutro empreendimento:  a venda de mel.  Finalmente, em 2008, ele vendeu o seu negócio, admitindo que já estava na hora de “diminuir o ritmo”.  Morreu em Julho desse ano, aos 106 anos, deixando um legado de trabalho substancial e cheio de dignidade.
Aparentemente McBurney não continuou a trabalhar por necessidade.  Existiam outros interesses.  Por exemplo, ele gostava de correr desde criança e, aos 65 anos, ainda participava em maratonas de longa distância.  Chegou a competir nas Olimpíadas Sénior, World Masters entre outros, conquistando 10 medalhas de ouro.  Em 2004 decidiu escrever a sua autobiografia, “My First 100 Years:  A Look Back from the Finish Line" (Os Meus Primeiros 100 Anos de Vida:  Uma Retrospectiva à Linha de Chegada)”.
McBurney não tinha um estilo de vida de desperdício.  Geralmente deslocava-se a pé para percorrer os poucos quarteirões que separavam a sua casa do escritório.  Dispunha de recursos suficientes para se aposentar confortavelmente, mas percebeu o valor do trabalho e extraiu grande prazer das suas actividades vocacionais.  Relaxar demasiado tempo numa cadeira de baloiço, vaguear pelo jardim, ou passear no parque sem razão nenhuma, aparentemente não o atraíam nem um pouco.
O Rei Salomão, considerado o homem mais sábio da história, bem poderia estar a referir-se ao Sr. McBurney quando escreveu em Eclesiastes 5:19-20:  “Se Deus concede a alguém riquezas e bens e lhe permite que coma deles, que sinta nisso a sua recompensa e goze do fruto do seu trabalho.  Isso é um dom de Deus.  E assim nem se preocupa muito com os dias da sua vida, pois Deus enche-lhe de alegria o coração”.
Usarmos as capacidades e talentos que Deus nos deu numa ocupação da qual gostamos, tem muito mais poder para encher o nosso coração de alegria, do que a “tradicional” aposentação aos 65 anos. 
Quando entrar no processo da sua reforma, decida-se a não perder o melhor que Deus tem para os seus próximos anos!

Rick Boxx é presidente e fundador da "Integrity Resource Center", escritor internacionalmente reconhecido, conferencista, consultor empresarial, CPA, ex-executivo bancário e empresário.  Adaptado, sob permissão, de "Momentos de Integridade com Rick Boxx", um comentário semanal acerca da integridade no mundo dos negócios, a partir da perspectiva cristã. 

Como Resistir ao Desânimo ( parte II )

Na reflexão anterior escrevi sobre como este tema nos afecta de alguma maneira a todos nós.  Desta vez, gostaria de abordar a questão por um ângulo ligeiramente diferente.
Há muitas coisas no trabalho que nos desanimam e procuram impedir que completemos a nossa missão de vida.  Frequentemente, fico a pensar se o nosso pior inimigo é a procrastinação...  ou será que é o desânimo?  Se quem nos odeia não puder fazer tudo para adiarmos o esforço no cumprimento da nossa missão ou tarefa, então, ele tentará levar-nos a abandoná-la duma vez por todas.  
Na Bíblia, o apóstolo Paulo oferece as seguintes palavras de conselho quando nos confrontamos com o desânimo:  “Não nos cansemos de praticar o bem pois, se não desanimarmos, teremos a colheita no tempo devido”  (Gálatas 6:9). 
Já se sentiu cansado de praticar o bem?  Todos já passámos por isso.  Às vezes parece muito mais fácil praticar o mal do que o bem.  Quando ficamos desanimados tornamo-nos ineficientes e, geralmente, lutamos contra tudo em que acreditamos incluindo a nossa fé.  Quando estou desanimado, a minha tendência natural é dizer:  “Isto não é possível.  Desisto!”.  O oposto (recomendado) seria:  “Eu sei que Deus pode fazer isto, porque Ele disse...”.
Considere as seguintes questões: 
·  Como lido com o fracasso?
·  Quando as coisas não acontecem à minha maneira, fico amuado ou irritado?
·  Quando as coisas não acontecem como quero, fico frustrado ou a ranger os dentes em murmuração?
·  Vou até ao final de tudo o que inicio?
·  Que avaliação faço do grau da minha persistência ou perseverança?
Permita-me a oferta dum conselho:  se está a sentir-se desanimado, não desista sem lutar.  Nada que valha a pena acontece sem perseverança, energia e muito trabalho.  Quando um artista começa a criar uma escultura, ele precisa tirar uma lasca de cada vez.  Ele não bate no cinzel com o martelo apenas uma vez e, de repente, observa todos os excessos caírem para revelar a beleza da obra de arte.  Ele precisa bater na pedra vez após outra, cuidadosamente, arrancando os pedaços que não se encaixam na sua ideia para a escultura.
Isto também se aplica à vida.  Nada que valha realmente a pena torna-se fácil.  Precisa de abrir caminho para alcançar o seu objectivo e persegui-lo pouco a pouco, até que a sua vida se transforme na obra-prima da oferta de Deus.  Efésios 2:10 dá-nos uma certeza:  “Pois somos obra das suas mãos, criados em Cristo Jesus para vivermos na prática das boas obras, as quais de antemão Deus preparou para nós”. 
Pessoas notáveis são apenas pessoas comuns, mas com uma extraordinária determinação.  Elas simplesmente não sabem o que é desistir e recusam-se a ceder ao desânimo!

Texto da autoria de Rick Warren, escritor e conferencista, autor do best-seller "The Purpose-Driven Life" (Uma Vida Com Propósitos), traduzido em várias línguas.  Usado com a devida permissão.