domingo, 25 de janeiro de 2009

QUEM MANDA AQUI SOU EU . . .

Por : Pr. Mauro Marolla Fº

Enquanto preparava este texto, lembrei-me de minha infância. Meu pai era militar e minha mãe uma dedicada professora escolar. Devido a um problema de saúde, meu pai aposentou-se cedo e seus vencimentos eram pouco maiores que os de minha mãe. Éramos em cinco irmãos e, embora tivéssemos uma vida financeira limitada, nada de essencial nos faltava. Mas, mais que o suprimento material, lembro-me de ter crescido em um ambiente de respeito e amor, apoiados e estimulados por nossos pais a desenvolver todo nosso potencial.

Algo que me marcou muito em minha experiência familiar era a maneira como meu pai tratava minha mãe. Ele a protegia com muito cuidado. Pequenos detalhes faziam parte de seu relacionamento, como abrir a porta do carro, puxar a cadeira, abraçá-la carinhosamente quando caminhavam juntos, apresentá-la às pessoas com paixão nas reuniões que freqüentavam; enfim, simples gestos, mas muito poderosos na mente de um garoto que tinha em seu pai o grande amigo e mentor. Até hoje me pego repetindo muitos de seus gestos, e é a imagem dele com minha mãe que me vem à mente nesses momentos. Meu pai já faleceu, mas seu legado continua real e vivo em mim.

O engraçado é que mesmo recebendo um salário parecido ao de meu pai, minha mãe não demonstrava atitudes de superioridade para com ele. Ela aceitava seu cuidado e parecia curtir toda aquela demonstração de carinho e afeto. Não viviam uma disputa, mas um relacionamento afetuoso e harmônico que nos transmitia muita segurança e paz. Havia conflitos às vezes, mas tudo era resolvido com respeito e gentileza, buscando o melhor para a família.

Em 29 de setembro de 2007, o jornal Folha de São Paulo publicou a matéria “Mulher chefia quase 30% dos lares do país”, de autoria dos jornalistas Janaína Lage e Pedro Soares. Nessa reportagem, eles comentam sobre os Indicadores Sociais do IBGE, com base nos dados de 2006. Segundo essa pesquisa, houve um crescimento de 21,6%, em 1996, para 29,2%, em 2006, dos domicílios brasileiros em que as mulheres chefiam a casa. Entre as mulheres casadas, esse crescimento foi de 2,6% para 8,1%, no mesmo período. O que me chamou a atenção foi o critério utilizado pelo IBGE para definir essa chefia do lar: o membro da família que tem a maior renda.

Fiquei pensando que esse critério não serviria em minha família, quando era pequeno, pois a liderança não era uma questão de ter, mas de ser. Meu pai era o líder da casa e isso não mudou mesmo quando minha mãe assumiu o cargo de diretora escolar e passou a ter uma renda maior que a dele. Em casa vigorava o conceito de família, de bem comum, baseado nos ensinamentos da Bíblia, como modelo ideal. Meu pai era honrado não pelo que ele tinha, mas por quem ele era. Minha mãe o tratava com muito carinho e respeito, mas recebia dele amor e cuidado extremos.

A Bíblia fala no salmo 128 que “feliz é o homem que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerá do trabalho de suas mãos e tudo lhe irá bem. A sua mulher é como a videira frutífera ao lado de sua casa; seus filhos como plantas de oliveira à roda de sua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor”. Quando olhamos para a complexidade da vida moderna e comparamos com esse modelo bíblico de uma família abençoada, parece que tudo está de ponta cabeça. Está faltando antes de tudo, honra a Deus dentro das casas, pois, sem Ele, não é possível construirmos uma família feliz. Atualmente, vemos uma busca intensa por bens materiais, como se eles definissem quem somos e o nosso valor. O engraçado é que muitos desses bens são adquiridos para satisfazer necessidades criadas pelo próprio mercado e que não são essenciais para a vida. Por outro lado, há uma falta tremenda de princípios bíblicos no dia-a-dia das famílias. Bondade, fidelidade, honestidade e gentileza são atitudes que parecem estar “fora de moda” em nossa sociedade.

Nesse cenário, o homem se apresenta como uma figura diminuída, fugindo de suas responsabilidades e com medo de assumir seu papel de liderança. Em muitas famílias, o marido (e pai) muitas vezes é visto como um inimigo, um hóspede ou um mal necessário e não como um protetor, um guardião e um mentor. Muitos jovens têm crescido com uma imagem totalmente distorcida do que é ser homem, marido e pai. A experiência na infância tem sido de um pai preguiçoso, mentiroso, medroso, desonesto, irado e fracassado. Pais que prometem e não cumprem, cobram comportamentos externos dos filhos, mas são os primeiros a praticar o oposto. Não são acessíveis emocionalmente e não se preocupam em conhecer os corações de seus filhos.

Com isso, as mulheres têm sido pressionadas a serem a mulher e o homem da casa, assumindo papéis que não foram projetados por Deus para elas. Com isso, há stress, ansiedade, insegurança e medo. Os casamentos terminam, as adolescentes engravidam, o aborto aumenta em escala assustadora e a homossexualidade passa a ser o padrão para os jovens; afinal, quem quer ser um homem como esses pais? É melhor ser parecido com mamãe. Enfim, nossa geração está lidando com questões muito sérias que não faziam parte da realidade das gerações passadas. E tudo isso pela destruição da figura masculina em nossa sociedade.

Mais que nunca, precisamos resgatar a imagem do homem em nosso tempo. Ajudá-lo a ser um líder e mentor em sua casa. Um exemplo vivo a seus filhos de quem é Jesus e de como Ele se relaciona com sua Igreja. Não um líder autoritário e que busca seus próprios interesses e satisfação pessoal, mas alguém disposto a morrer pelos seus e decidido a levar sua família cada vez mais para perto do Pai Celeste. Um homem apaixonado por Deus e que não negocia seus princípios; pronto a ouvir e sensível às necessidades daqueles que o cercam. Com isso, veremos uma transformação poderosa em nossa sociedade.

Pr. Mauro Marolla Fº
Diretor-executivo do Ministério Veredas Antigas - UDF

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito boa esta palavra......a mais pura realidade de nossos dias, infelizmente. Espero que Deus nos capacite a cada dia honrar nossa posição dentro do lar. Que Deus abençõe.........

Ricardo.

Anônimo disse...

Esse texto nos deixa com vontade de ser um pai segundo o coração de Deus. A felicidade de uma família depende da maneira como é formada e da maneira como é cuidada. Um pai segundo o coração de Deus é aquele que pode mostrar para a sociedade atual que ainda há esperança, basta estar no Senhor!!

Anônimo disse...

A paz do Senhor!

Agradeço a Deus por essas Palavras, esse texto nos deixou claro sobre a importância de manter uma família segundo as diretrizes de Deus, e que os planos de Deus para família é melhor..., pois só Ele sabe o que é melhor para todos nós...
E essa felicidade que encontramos em Cristo Jesus é um bem que se multiplica ao ser dividido! Adorei essa iniciativa do Apoio Cristão.