sábado, 3 de janeiro de 2009

O Paradoxo do Progresso ...

Tracy Ballard aumentou o volume do seu novo equipamento de som sem fios, enquanto se aquecia sob os raios de Sol que atravessavam a clarabóia da sua casa de banho, ao mesmo tempo que admirava o arco-íris formado pela luz no piso cerâmico sob os seus pés. Somente o ruído da água provocado pela "excursão" matinal do seu marido interrompia o prazer de desfrutar de um local que mais parecia um balneário.
Quando Tracy e John decidiram que a casa de banho estava a precisar de uma ligeira reforma, não se contentaram apenas em substituir os lavatórios danificados. Eles equiparam o seu “cantinho de férias” revestido de cerâmica, com um chuveiro sofisticado, dotado de saídas de água e de vapor, bem como um sistema de som sem fios de alta qualidade para ouvir música.
O casal Ballard é um entre muitas famílias modernas que equipam as suas casas de banho com todo este tipo de conforto, incluindo televisão, som ambiente, entre muitos outros luxos! No ano de 2006, um jornal conceituado fez algumas contas e chegou à conclusão que, só os americanos, gastaram cerca de 22 biliões de dólares em banheiras luxuosas – 10 vezes mais do que o orçamento do Governo para a investigação sobre SIDA!
Essa tendência para trazer de volta os toucadores decadentes reflecte um fenómeno que Gregg Easterbrook descreve como “o paradoxo do progresso”. Ele afirma que actualmente os americanos são mais ricos, saudáveis e sentem-se mais seguros do que há 50 anos, mas – e aí está o problema! – o número de pessoas que diz estar “muito infeliz” aumentou 20% desde 1950. Além disso, as taxas de depressão estão 10 vezes mais elevadas do que há 50 anos.
O que há de errado com esta geração? Por que é que as pessoas se sentem tão infelizes apesar de possuírem tanto? É claro que as casas de banho de milhares de dólares não oferecem resposta para isso.
J. P. Moreland afirma no seu livro, “The Lost Virtue of Happiness”, (A Virtude Perdida da Felicidade), que "sentimo-nos miseráveis porque temos um conceito distorcido de felicidade. Descrevemos felicidade como um sentimento de prazer alcançado pela satisfação de desejos físicos e emocionais. A conclusão implícita nesta definição é que as nossas vidas pertencem-nos e é a nós que cabe maximizar o conforto e minimizar o sofrimento. A vida real não acontece naturalmente”, explica Moreland. “Não é intuitiva, mas é algo que temos que aprender. Por esta razão, o caminho para uma vida autêntica, não consiste no que obtemos, mas no que damos”.
Os antigos filósofos gregos, do mesmo modo que os colonizadores do passado, entenderam isso, mas as pessoas no mundo moderno parecem ter esquecido. Esqueceram que a felicidade reside em viver o paradoxo que Jesus Cristo apresenta em Mateus 16.25: “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” .
O sentimento de felicidade pode resultar de uma vida bem vivida, mas jamais deve ser este o objetivo. A verdadeira felicidade existe em abundância quando entendemos que a nossa vida não nos pertence e praticamos as disciplinas espirituais que nos conduzem para perto de Jesus Cristo – Fonte da verdadeira felicidade. Talvez, então, não necessitemos de lavatórios banhados a ouro.
A noção clássica de felicidade (eudaimonia no grego) é a de “uma vida bem vivida, de virtude e carácter, que manifesta sabedoria, gentileza e bondade”. Não uma vida gasta com auto-gratificações.

Questões para Reflexão/Discussão
1. Como define a “felicidade”? Na sua perspectiva, acha que somos felizes pelo tipo de aquisições de bens materiais ou o sucesso na realização de alvos pessoais?
2. Qual é a sua reacção quando ouve falar de pessoas gastando enormes somas de dinheiro em luxos e coisas não-essenciais?
3. Mark Earley cita um autor que declara o seguinte: “o caminho para uma vida autêntica, não consiste no que obtemos, mas no que damos”? Acha isso uma afirmação lógica? Comente as suas razões.
4. Jesus Cristo afirmou que “aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á”. Acha que isto faz algum sentido? Como é que alguém pode encontrar vida, perdendo-a?

NOTA: Se possuir uma Bíblia e desejar aprofundar outras passagens sobre este assunto, consulte os seguintes exemplos: Provérbios 23:4, 5; Mateus 10:8; Lucas 12:13-21; Mateus 6:19-21; Actos 20:35

Texto de autoria de Mark Earley, Presidente e CEO do Prison Fellowship, desde 2002, organização não governamental com sede em U.S.A.

Nenhum comentário: