Por : Tania Cecília Fernandes MoraesNos últimos tempos temos ouvido falar, e muito, sobre crise financeira. No ano passado um dos assuntos mais comentados pelos meios de comunicação foi a respeito da crise econômica, iniciada há mais de um ano, quando foi anunciada nos Estados Unidos como uma
crise no pagamento de hipotecas e que se alastrou pela economia de forma assustadora, contaminando todo o sistema mundial.
Tal processo apresentou perdas bilionárias, fazendo com que muitos bancos chegassem à falência. Nos EUA o que era inicialmente uma onda de calotes no mercado imobiliário acabou se transformando numa grande crise no ramo de ações.
No Brasil a crise afetou o mercado de forma indireta, já que os bancos dizem não possuir papéis ligados às hipotecas. Inúmeros setores foram atingidos devido à forte contração de crédito. Muitos empresários que não possuíam reservas acabaram falindo ou tendo prejuízos significativos para seus negócios.
Diante desse quadro, é possível notar a importância de um bom planejamento financeiro, que nada mais é do que um método prático de administrar sua renda, patrimônios, despesas, investimentos e até mesmo inesperadas dívidas.
É comum observarmos famílias sendo esmagadas por crises financeiras por não terem nenhum tipo de planejamento ou reserva. Segundo pesquisas, 90% dos casos de inadimplência se dão pelo fato do erro de cálculo na hora de assumir uma dívida, ou seja, gasta-se mais do que se ganha.
O desequilíbrio financeiro e a má administração das finanças podem contribuir para grandes conflitos familiares. Sabemos que o dinheiro, criado para facilitar as relações comerciais e para satisfazer nossas necessidades, torna-se muitas vezes um agente de desentendimentos e contendas dentro do âmbito familiar, seja pela falta ou até mesmo pelo excesso. Com muita freqüência ouvimos casos de pessoas que enfrentam problemas desta ordem e por essa razão acabam tendo seus lares destruídos.
É de fundamental importância que a família se concentre em despender seu dinheiro com moderação, sem gastos exagerados, decidindo sempre juntos como devem gastar e onde investir aquilo que ganham.
Quase sempre o dinheiro é um assunto que gera muitas discussões dentro dos lares e provavelmente seja uma das grandes causas de discórdias nos casamentos. Por isso, o casal precisa estabelecer prioridades e alvos para que o dinheiro seja bem empregado e não gere problemas futuros.
Viver em harmonia familiar diante de dificuldades financeiras talvez seja um dos maiores desafios enfrentados pelas pessoas, mas sabemos que com Cristo é possível passar, firmes e confiantes, por estas situações.
Já dizia Salomão em Provérbios 11.28: “Quem confia em suas riquezas certamente cairá, mas os justos florescerão como a folhagem verdejante”. Aqueles que vivem segundo os preceitos de Deus, baseados na sua palavra e não nos bens materiais, diante das crises rejuvenescerão.
Crise financeira é um problema que a maioria de nós já enfrentou ou poderá enfrentar em um determinado estágio da vida. O importante é saber como lidar com esta questão, sabendo tirar dela ricas lições para a vida.
Talvez o primeiro passo seja entender que o dinheiro nada mais é do que o meio de prover nossas necessidades e que não devemos dar a ele maior valor do que merece. A Bíblia nos adverte no livro de 1 Timóteo 6.10 que “… o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Observamos nesta passagem que a Palavra de Deus não condena em hipótese alguma o dinheiro, mas sim o amor a ele, que nada mais é do que uma obsessão por “ter”.
Precisamos ter em mente que nossos recursos financeiros pertencem exclusivamente ao Senhor, e é Ele quem nos dá todas as coisas. Deus apenas nos dá o direito de administrá-lo, por isso devemos fazê-lo da melhor forma possível.
Certa vez, em uma conferência sobre finanças para grandes empresários, o palestrante perguntou a um jovem empreendedor o que significava para ele crise financeira, e aquele jovem rapidamente respondeu: uma ótima oportunidade para mudanças, pois as crises financeiras trouxeram à tona valores preciosos que em algum momento da vida, por conta do meu sucesso profissional, eu havia esquecido! Ele absorveu da crise aspectos positivos para sua vida.
Assim como esse rapaz, precisamos enxergar as crises como novas oportunidades para o novo de Deus, pois são nas tribulações que estão as melhores oportunidades para crescermos e para permitirmos que Deus nos lapide. Nas crises revelamos quem realmente somos e onde está o nosso coração.
Nossos valores devem se concentrar naquilo que realmente tem importância. A presença do Senhor em nossa vida é sem dúvida nenhuma o maior bem que alguém pode ter. Muitas vezes o sucesso profissional, as riquezas podem nos afastar de Deus e dos valores que possuímos. Encontramos na Bíblia a passagem do jovem rico, que não foi capaz de deixar sua riqueza para seguir a Jesus. Ele perdeu talvez a melhor oportunidade que a vida poderia dar a alguém. Seus bens materiais não puderam fazer dele alguém melhor, alguém que fizesse a diferença. Se tivesse seguido a Cristo, teria descoberto o real sentido da vida e para o que havia sido chamado. Sua vida seria muito mais feliz, e ele se tornaria um homem plenamente realizado, mas foi impedido pela ganância que havia em seu coração.
Se tivesse se desprendido de seus bens materiais, entregando tudo o que tinha nas mãos do verdadeiro dono do ouro e da prata, teria feito de sua vida uma história de amor e fé e certamente teria ao seu lado o maior tesouro que alguém pode ter: a presença maravilhosa de Jesus Cristo, com seu doce perfume a invadir sua alma.
Muitos irmãos têm passado por crises por reterem aquilo que é de Deus, sem compreenderem que de fato tudo o que temos é do Senhor. Como cristãos, fomos ensinados desde cedo sobre a importância de sermos dizimistas e de fazê-lo sem nenhum tipo de peso ou pressão, mas é exatamente neste ponto que muitos de nós falham, não compreendendo o verdadeiro significado deste ato. Dizimar deve ser um ato de amor e obediência a Deus e principalmente deve nos ensinar a respeito do desprendimento. Quando dizimamos, temos por parte do Senhor uma promessa de bênçãos, conforme está escrito no livro de Malaquias 3.10: “Tragam o dízimo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova, diz o Senhor dos Exércitos, e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las”. Mesmo diante de uma crise financeira é importante nos mantermos fiéis nos dízimos, pois Deus nos garante que não nos desamparará e que há de derramar bênçãos imensuráveis.
Um bom dizimista também é alguém que possui um coração grato e generoso. Seria muito bom se todos nós fôssemos ensinados desde a infância a termos um coração generoso, sensível às necessidades do próximo. A generosidade traz consigo a gratidão. Um coração generoso também é um coração agradecido, que reconhece os benefícios a ele atribuídos.
Certa vez ouvi uma história muito interessante chamada “De graça”. Essa história está contida no livro Canja de galinha para a alma, de Mem Martins (Lyon Edições, 2002). Por se tratar de uma história de origem portuguesa, tomei a liberdade de fazer pequenas modificações, que em nada alteraram o conteúdo:
“Um rapaz foi ter com a mãe e entregou-lhe um papel. Depois de limpar as mãos no avental, a mãe começou a ler:
‘Por cortar a grama: R$ 5,00; por limpar o quarto esta semana: R$ 2,00; por dar um recado: R$ 0,50; por tomar conta do meu irmão: R$ 0,25; por colocar o lixo na rua: R$ 1,00; por tirar boas notas: R$ 5,00; por limpar e varrer o quintal: R$ 2,00. Total da dívida: R$ 14,75’.
A mãe ergueu o olhar, e ele ficou ali, à espera. Então, ela pegou o papel e começou a escrever:
‘Nove meses em que o carreguei quando estava dentro de mim: de graça; o tempo em que estive sentada ao seu lado quando estava doente e que orei por você: de graça; todas as lágrimas que você me fez chorar ao longo dos anos: de graça; todas as noites povoadas de medo e preocupações que me esperavam: de graça; pelos brinquedos, pela comida, roupa limpa: de graça, meu filho!’.
E depois de somar tudo disse: ‘O amor verdadeiro é… de graça!’.
Quando o filho leu o que a mãe escrevera, seus olhos imediatamente se encheram de lágrimas. Então, olhou profundamente para ela e disse: ‘Mãe, te amo!’. Depois pegou a caneta e escreveu com letras grandes: ‘CONTA PAGA’.”
Essa história nos adverte que devemos ser gratos por tudo aquilo que recebemos e que devemos ser generosos para com os outros. Durante todo o tempo de sua existência aquele rapaz não havia reconhecido o quanto sua mãe fizera por ele, simplesmente porque o amava, sem pedir nada em troca. Talvez o coração dessa mãe represente um pouco do coração do nosso Deus, que nos ama incondicionalmente e faz o melhor por nós, sem exigir nenhum tipo de reconhecimento ou favor. O Senhor trabalha em favor daqueles que o esperam! Seu amor e sua misericórdia são gratuitos!
Por isso, mesmo que as crises financeiras assolem nosso lar, se construirmos nossa casa sobre a rocha, estaremos seguros e no tempo certo de Deus veremos seus milagres.
Muitos têm construído seus lares sobre a areia, representado pelo dinheiro e pelos bens materiais, e enquanto usufruem de tudo o que o dinheiro pode oferecer-lhes são pessoas alegres, otimistas e parecem viver em harmonia. Possuem boas roupas, recursos financeiros para viajar, educam seus filhos em boas escolas, têm carros luxuosos, mas quando passam por uma crise financeira, seus lares são desmoronados, pois não estavam arraigados em solo firme. Seus valores estavam em suas riquezas, nos bens que possuíam. E assim, as relações familiares vão pouco a pouco sendo destruídas, e o caos se instala nesse lar.
A Palavra de Deus nos diz em Mateus 6.19-21: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”.
Nosso coração precisa estar no Senhor, pois Ele é o nosso maior tesouro. Crises financeiras são algumas vezes ocasiões favoráveis criadas por Deus para reavaliarmos nossos valores e descobrirmos onde está verdadeiramente nosso coração. Deus sempre nos mostrará um caminho excelente. Todos nós desejamos ter uma vida financeira estável, sem dificuldades, mas crises fazem parte da vida de qualquer ser humano. O importante é como passamos por elas. Nossas posses materiais não podem ser a nossa identidade nem nossa esperança. Nossa vida deve estar alicerçada na rocha que é Jesus Cristo. Nossa alegria está no Senhor, é Ele quem nos sustenta e
nos fortalece em todo tempo!
“ Mesmo não florescendo a figueira, e não havendo uvas nas videiras, mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral, nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação. O Senhor, o Soberano, é a minha força; ele faz os meus pés como os do cervo; faz-me andar em lugares altos” (Habacuque 3.17-19).
* Tania Cecilia Fernades Mendes, casada, tem uma filha. É membro da Igreja batista do Povo situada em Vila mariana, São paulo. É graduada em Licenciatura em Letras pela UNIFAI e pós - graduada em comunicação com o mercado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing.
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