segunda-feira, 2 de março de 2009

Antes que as dívidas nos separem . . .

Por : Aécio Ribeiro

Atire a primeira pedra o casal que nunca se desentendeu por causa do dinheiro! É histórica a interferência das finanças nas relações conjugais; há muitos casos de separações que se originam nas crises financeiras. Não é fácil driblar esses conflitos, principalmente em épocas em que o assunto passa a ser a principal manchete, como o foi em 2008. Mas, repito, não é privilégio de nossos dias os problemas conjugais relacionados a dinheiro.

Sempre que o assunto é financeiro, todo casal tem alguma história para contar. Eu mesmo tenho duas: uma minha, outra do meu sogro.

A minha me causa desconforto até hoje. Eu era recém-casado, recém-desempregado também (havia um mês que deixara a empresa onde trabalhava). Uma pessoa da família me constrangeu a ser seu fiador em um empréstimo, e eu, mesmo sob recusa da minha esposa, resolvi desafiar: assinei o documento. Resultado: quatro anos depois tive de amargar uma dívida que me exigiu a venda do meu carro. Toda vez que saía de casa a pé tinha de enfrentar os olhares desconcertantes de minha esposa, que, sem palavras, reafirmava: “Eu não lhe disse?”. Levei alguns longos meses para solver aquele problema.

Agora, deixe-me contar a história do meu sogro, um pouco mais antiga. Eu ainda não era nascido, óbvio. Minha sogra Marusa chegava do mercado quando encontrou seu digníssimo esposo conversando na porta de casa com um cidadão: meu sogro negociava um belo terreno por uma Brasília. Isso mesmo! Estava trocando um terreno por uma Brasília – o carro dos sonhos. Cuidadosamente, como é perfil das paraibanas, minha sogra interferiu no processo e disse ao marido: “Se eu fosse você, não faria esta besteira”, e entrou em casa. Em seguida, meu sogro entrou zangado, dizendo que ela acabara de comprometer o negócio dele, pois o cidadão disse que não faria acordo com um homem cuja mulher mandava... Resultado: meu sogro mora num lindo prédio, no centro da cidade, justamente no terreno que seria transformado numa Brasília.

São estas e outras aventuras financeiras que nos mostram quão perigoso é tomar uma atitude sem a devida harmonia. Eu perdi o carro, meu sogro quase perde o terreno. E quantos casais perdem definitivamente a alegria de viverem juntos por causa de uma atitude dessas? Portanto, seguem algumas dicas para quem quer tomar atitudes financeiras sem comprometer a harmonia conjugal :

1) NUNCA pense que as decisões financeiras são suas, exclusivamente. Se você está casado, as decisões têm de ser tomadas junto com o cônjuge.

2) SE houver algum ponto discordante entre os dois, procure se orientar pelos princípios da Palavra de Deus. Busque ajuda de conselheiros maduros e não procure impor a sua opinião.

3) PENSE sempre no que determinado investimento poderá representar no contexto da família. Não se esqueça de que a vida em família não é independente nem isolada.

4) VALORIZE cada preocupação do seu cônjuge, ainda que lhe pareça sem sentido. A importância de um argumento depende quase sempre do contexto no qual cada um está inserido.

São passos simples, mas decisivos, para quem não quer enfrentar uma batalha de neurônios quando as contas explodem! Viver em harmonia implica também uma vida sem dívidas. Feliz 2009!

* Aécio Riberiro é formado em Letras e Teologia, mestrando em Teologia Pastoral, pastor adjunto da Assembléia de Deus Bom retiro e secretário - executivo do Conselho de Pastores do estado de São Paulo. É casado com Jesiana Ritae tem dois filhos : Kemuel e Kandace.

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