terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Planejar o Futuro, mas Vivendo o Presente ...




Por Robert Tamasy

Quando entrei para o mundo empresarial na década de 70, os executivos falavam em planear para os próximos 10 anos, às vezes até mais. Imaginavam onde estariam as suas empresas e organizações depois de uma década ou mais. Essas projecções de longo prazo, entretanto cessaram quando reconheceram o ritmo acelerado das mudanças. Eventos de um único dia poderiam virar tudo de pernas para o ar.

A tecnologia abriu esse caminho. Esperar dias pela chegada de documentos importantes pelo Correio tornou-se uma coisa obsoleta. O Correio Azul tornou-se o padrão. Os aparelhos de fax permitiram a distribuição instantânea de informações, antes de os e-mails os substituírem. Os computadores mudaram a forma de fazer negócios. Uma das maiores mudanças foi o revolucionar do quadro de pessoal, aumentando as exigências do trabalho individual e a aceleração do ritmo de produtividade. A globalização introduziu um novo conjunto de agentes de mudanças.

Da noite para o dia, os planos de longo prazo cuidadosamente arquitectados, tornaram-se ultrapassados, dando lugar a planeamentos revistos a cada três anos. Actualmente parece que planear para o período de um ano é encarado como especulação. Nunca sabemos de onde virá a próxima mudança importante do mercado ― e que impacto causará.
O mercado de acções no dia a dia, lembra-nos o risco que é atribuir mérito excessivo ao planeamento futuro. Já vimos o preço de acções subir por longos períodos e depois cair dramaticamente por algum súbito “ajuste” de mercado. A sabedoria tradicional diria: “Planeie o futuro por sua própria conta e risco”.

Não é minha intenção sugerir que planeamento não tem mérito. Antes pelo contrário, enfrentar o dia sem nenhum plano quanto à forma de usar o tempo, não faz sentido. É preciso planear antecipadamente as reuniões para a próxima semana, viagens para o mês que vem e a participação numa conferência no final do ano. O mesmo deve ser feito com os produtos e serviços que a nossa empresa oferece. Mas será que devemos continuar a fazer as coisas do mesmo modo? Será este o tempo certo para ajustes significativos para manter ou aumentar o market-share? Será que não é hora de seguir numa nova direcção?

Embora a metodologia tenha mudado, sempre há e haverá necessidade de planear. A Bíblia oferece uma visão preventiva sobre os prós e os contras do planejamento:

* Faça planos para o futuro sem sacrificar o presente. Temos a tendência de criar uma grande expectativa em relação ao que o futuro nos trará, mas cada novo dia oferece as suas próprias surpresas. Devemos estar preparados para lidar com elas, de modo adequado, ou as nossas expectativas poderão ficar comprometidas ou em risco. “Não te gabes do dia de amanhã, pois não sabes o que poderá acontecer hoje” (Provérbios 27:1).

* Não se preocupe demais com os planos futuros quando o presente já apresenta problemas suficientes. A maioria das coisas com as quais nos preocupamos jamais acontece. Gastamos desnecessariamente energia mental que seria melhor aproveitada se voltada para as necessidades do presente. “Portanto, não devem andar preocupados com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu mal” (Mateus 6:34).

* Planeje levando em conta a influência divina. Planeamos como se tivéssemos total controlo sobre o resultado, mas são muitos os factores que podem mudá-lo. Para os que acreditam que Deus está intimamente envolvido com os assuntos da humanidade, a vontade Dele é o maior factor que deve ser levado em consideração. “O homem faz os seus planos, mas é o Senhor quem dirige a realização” (Provérbios 16:9).

Questões para Reflexão/Discussão
1. Que planeamento faz para o seu dia normal? Faz planos com grandes detalhes, determina em traços gerais o que pretende alcançar, ou escolhe não planear nada de nada, preferindo responder espontaneamente ao que possa surgir?
2. Se se envolve num planeamento de longo prazo, a que distância temporal planeia os seus projectos? Algumas semanas? Vários meses? Um ano? Três anos ou mais? Comente ou explique a sua resposta.
3. Dá consigo a fazer alarde dos objectivos a alcançar no futuro? Quais são os perigos quando os enaltecemos?
4. Quando dedica tempo para fazer planos, tem em conta a vontade ou os projectos que Deus pode ter para si? Se sim, então como é que esses projectos deverão ser postos em prática? Se não, explique porque é que ignora ou exclui Deus no seu processo pessoal de planeamento?
NOTA: Se possuir uma Bíblia e desejar aprofundar outras passagens sobre este assunto, consulte os seguintes exemplos: Provérbios 16:3, 33; Provérbios 19:21, 20:24, 21:30-31; Mateus 6:19-33

Texto da autoria de Robert J. Tamasy, vice-presidente de comunicações da Leaders Legacy, corporação beneficente com sede em Atlanta. Georgia, USA. Com mais de 30 anos de trabalho como jornalista, é co-autor e editor de nove livros.

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